Da fundação ao mito do imperador: como Franca surgiu e sustentou lenda sobre visita de Dom Pedro I


Município, que completa 200 anos nesta semana, nunca esteve na rota do imperador, mas concentra diversas homenagens ao 'pai da Pátria'. Vista aérea Franca, SP Aurélio Sal/EPTV Em 28 de novembro de 1824 é fundada a Vila Franca do Imperador. O título deixou de existir três décadas depois, quando Franca (SP) se emancipou de Mogi Mirim (SP), mas o símbolo está presente ainda nos dias de hoje. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp De hotéis a estabelecimentos comerciais, o imperador está presente em todos os cantos da cidade. Mas por que Franca do Imperador? Muito gente acredita que depois que o Brasil se tornou independente de Portugal, Dom Pedro I teria passado pela cidade, mas, apesar disso, não há nenhum documento que comprove a visita. Quem esteve, de fato, dos lados de cá, foi Gastão de Orléans, Conde d'Eu, genro de Pedro II, como conta o historiador Wanderlei Donizete Pereira, escriturário do arquivo municipal da Prefeitura de Franca. "Pessoas acreditam que o nome seria em homenagem ao imperador que passou aqui, mas nem Dom Pedro I e nem Dom Pedro II nunca estiveram em Franca. Quem passou por aqui rapidamente foi o genro de Dom Pedro II, Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel. Mas ele só chega na estação, nem desce do trem. Então, a visita de um imperador nunca ocorreu na cidade. O nome mesmo é uma homenagem ao momento que o Brasil estava vivendo, no período imperial". Wanderlei Donizete Pereira, historiador e escriturário em Franca, SP Aurélio Sal/EPTV De freguesia a vila em 20 anos Apesar de Franca ter se tornado cidade em 1824, diversas outras tentativas para elevar a então freguesia à categoria de vila começaram 20 anos antes. De acordo com Wanderlei, o início da povoação começou em 1804, com pouco moradores concentrados no bairro atualmente conhecido como Miramontes, antigo Covas. Vista aérea de Franca, SP Aurélio Sal/EPTV Com a vinda dos mineiros para a região no fim do século 18 e o aumento da população, Capitão Hipólito, fazendeiro de importância na região, foi nomeado Capitão de Ordenâncias, que era alguém de confiança do governador da Província de São Paulo para poder preservar as divisas por questão de invasões, uma vez que Minas Gerais sempre tentava roubas as terras de São Paulo, como conta o historiador. "Ele [capitão Hipólito] foi responsável por manter uma milícia, pessoas de confiança dele estarem ocupando esses espaços para evitar a invasão. Também tinha a questão do indígena, que nesta época tinha muito confronto entre eles e a população que estava chegando. Ele seria o responsável por manter essa ordem". Com o povoado crescendo, conta Wanderlei, Capitão Hipólito fez um pedido para criação de uma freguesia. "Como a igreja tinha influência muito grande na sociedade nessa época, núcleos urbanos nasciam a partir da criação de uma freguesia. Em 1804 ele faz pedido formal para criar a Freguesia de Franca e manda um mapa onde construiria o núcleo urbano". Mapa apresentado no pedido para criação da Freguesia de Franca, em 1805 Aurélio Sal/EPTV O pedido foi autorizado em 1805. E este foi o primeiro passo para, mais para frente, tornar Franca uma cidade, de fato. "Veio pra cá um padre, a família Antunes de Almeida doa uma parte da terra da Fazenda Santa Bárbara para criação desse núcleo urbano, que é na parte central, ali na fonte luminosa, na cúria diocesana. Ali se levanta a primeira igrejinha e esse núcleo urbano, a igreja era responsável por distribuir os lotes para moradores que quisessem ocupar, vir a morar no espaço urbano. Nasce a Freguesia da Nossa Senhora da Conceição da Franca e Rio Pardo". Com o passar dos anos, Franca, que estava sob a responsabilidade de Mogi Mirim, cidade que fica a 300 quilômetros de distância, passou a insistir no processo de emancipação. Era Mogi Mirim que comandava boa parte do interior de São Paulo, de Jundiaí até o Rio Grande, divisa com Minas Gerais. "Franca já sente a necessidade de se tornar uma cidade autônoma administrativamente e em 1809 foi feito um novo pedido para elevar à condição de vila. A autorização veio só em 1821". Homenagem ao rei Quando o pedido de elevação à vila chegou ao governador da Província de São Paulo, a ideia era chamá-la de Vila Franca Del Rei, em homenagem a Dom João VI. Segundo Wanderlei, a autorização não foi concretizada neste período por questões burocráticas, e só no dia 28 de novembro de 1824 um ouvidor da Comarca de Itu foi até Franca para instalar a vila. "Ficou Vila Franca do Imperador, porque família real já tinha saído do Brasil e voltado a Portugal e a homenagem mudou para Dom Pedro I. Franca se separa de Mogi Mirim neste momento, e são eleitos vereadores e juízes". Autorização para elevação de Franca, SP, à vila, em 28 de novembro de 1824 Aurélio Sal/EPTV A cidade, que completa 200 anos nesta quinta-feira (28) tem hoje 352.536 habitantes, de acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é conhecida por duas indústrias bastante fortes: café e calçado. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto e região

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