Trabalhadores são resgatados de fazenda de café em Santo Antônio da Alegria, SP, em condições análogas à escravidão


Trabalhadores foram resgatados de fazenda de café em Santo Antônio da Alegria (SP) Ministério do Trabalho e Emprego Treze trabalhadores, entre eles um adolescente de 15 anos, foram resgatados de uma fazenda de café em Santo Antônio da Alegria (SP) em condições análogas à escravidão. A operação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e contou com apoio da Polícia Militar. O caso aconteceu no fim de agosto, mas as imagens só foram divulgadas nesta quarta-feira (1º) por conta de detalhes sigilosos do inquérito, segundo informou o MPT ao g1. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Todos os trabalhadores são da região Nordeste e vieram para o interior de São Paulo com a promessa de serem contratados para a colheita de café. Em depoimento aos auditores fiscais do trabalho, eles disseram que trabalhavam sem registro de carteira e ainda arcavam com os custos de equipamento de proteção individual. De acordo com o MPT, os 13 colhedores que foram beneficiários de seguro-desemprego e o empregador assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), se comprometendo a pagar as verbas rescisórias e uma indenização individual para cada trabalhador. O TAC também previa o custeio da viagem de retorno dos trabalhadores aos seus estados de origem, incluindo passagens e alimentação. Todos eles, que são da Paraíba, Bahia, Maranhão e Ceará, já retornaram para as cidades de origem. LEIA TAMBÉM Operação resgata trabalhador rural que bebia água com agrotóxicos no interior de SP, diz MPT Trabalhadores são resgatados em condições semelhantes à escravidão em fazenda de Patrocínio Paulista Ao g1, o MTE informou que a ação, realizada pela equipe de Inspeção do Trabalho, começou no dia 22 de agosto e foi concluída em 6 de setembro. "No dia 6 de setembro, foram pagos aproximadamente R$ 50 mil em verbas rescisórias e R$ 13 mil em ressarcimentos, além da emissão de guias para o seguro-desemprego, garantindo três parcelas do benefício. A fiscalização segue com a elaboração dos autos de infração e do relatório final". Ao MTE, o trabalhadores resgatados disseram que foram atraídos para a fazenda de café em Santo Antônio da Alegria por falsas promessas de melhores condições de moradia e trabalho. "Ao chegarem à cidade, depararam-se com dívidas, alojamentos insalubres e ameaças constantes de despejo em caso de atraso no pagamento do aluguel". Trabalhadores resgatados em Santo Antônio da Alegria, SP, viviam em condições insalubres Ministério do Trabalho e Emprego O MPT informou que o empregador está sendo investigado e pode ser processado na Justiça do Trabalho. "Os autos serão remetidos para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal, a fim de verificar a conduta criminal do investigado". Comida azeda e botas compradas com dinheiro do bolso Aos auditores fiscais, os trabalhadores disseram que não recebiam Equipamento de Proteção Individual (EPI) para o trabalho e precisavam comprar botas e luvas com recursos próprios. Segundo o MPT, os resgatados também revelaram que não tinham onde armazenar as refeições durante a colheita e, muitas vezes, a comida azedava até a hora do almoço. Eles também precisavam levar para a colheita a própria água para consumo, porque o local não disponibilizava. Ainda segundo o MPT, o veículo que transportava os trabalhadores não possuía tacógrafo e o motorista não era habilitado para dirigir ônibus de passageiros. O empregador foi multado pela Polícia Militar. Eles ainda eram submetidos a condições insalubres, porque não havia banheiro na frente de trabalho, o que os obrigava a fazer as necessidades fisiológicas no meio do cafezal. Salário pago por produção O MPT também informou que todos os resgatados trabalhavam sem registro em carteira de trabalho e o salário era pago por produção e, eventualmente, por diária. "De acordo com os colhedores, o turmeiro pagava abaixo do piso oferecido por outros empregadores". 🔎 Turmeiro é a pessoa que atua como intermediária entre o dono de uma fazenda e o trabalhador rural. É o turmeiro que recruta e alicia trabalhadores para serviços em propriedades rurais. Ainda segundo o MPT, o turmeiro foi autuado por embaraço à fiscalização, porque não queria levar a equipe fiscal até a propriedade rural, alegando que os trabalhadores não queriam trabalhar no dia da operação. "Os colhedores disseram que o turmeiro os instruiu a mentir para as autoridades, citando também que ele era um homem raivoso e ameaçador. Segundo as vítimas, o turmeiro as humilhava e se negava a negociar a remuneração por produção, pagando o valor que queria aos trabalhadores, sem sequer informar o preço da unidade de medida referência para o cálculo da produção diária". O alojamento dos trabalhadores não tinha camas e nem armários e os fiscais apontaram buracos no telhado, onde entrava água da chuva, e paredes mofadas. O local também não tinha geladeira ou fogão. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Trabalhadores foram resgatados de fazenda de café em Santo Antônio da Alegria (SP) Ministério do Trabalho e Emprego Treze trabalhadores, entre eles um adolescente de 15 anos, foram resgatados de uma fazenda de café em Santo Antônio da Alegria (SP) em condições análogas à escravidão. A operação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e contou com apoio da Polícia Militar. O caso aconteceu no fim de agosto, mas as imagens só foram divulgadas nesta quarta-feira (1º) por conta de detalhes sigilosos do inquérito, segundo informou o MPT ao g1. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Todos os trabalhadores são da região Nordeste e vieram para o interior de São Paulo com a promessa de serem contratados para a colheita de café. Em depoimento aos auditores fiscais do trabalho, eles disseram que trabalhavam sem registro de carteira e ainda arcavam com os custos de equipamento de proteção individual. De acordo com o MPT, os 13 colhedores que foram beneficiários de seguro-desemprego e o empregador assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), se comprometendo a pagar as verbas rescisórias e uma indenização individual para cada trabalhador. O TAC também previa o custeio da viagem de retorno dos trabalhadores aos seus estados de origem, incluindo passagens e alimentação. Todos eles, que são da Paraíba, Bahia, Maranhão e Ceará, já retornaram para as cidades de origem. LEIA TAMBÉM Operação resgata trabalhador rural que bebia água com agrotóxicos no interior de SP, diz MPT Trabalhadores são resgatados em condições semelhantes à escravidão em fazenda de Patrocínio Paulista Ao g1, o MTE informou que a ação, realizada pela equipe de Inspeção do Trabalho, começou no dia 22 de agosto e foi concluída em 6 de setembro. "No dia 6 de setembro, foram pagos aproximadamente R$ 50 mil em verbas rescisórias e R$ 13 mil em ressarcimentos, além da emissão de guias para o seguro-desemprego, garantindo três parcelas do benefício. A fiscalização segue com a elaboração dos autos de infração e do relatório final". Ao MTE, o trabalhadores resgatados disseram que foram atraídos para a fazenda de café em Santo Antônio da Alegria por falsas promessas de melhores condições de moradia e trabalho. "Ao chegarem à cidade, depararam-se com dívidas, alojamentos insalubres e ameaças constantes de despejo em caso de atraso no pagamento do aluguel". Trabalhadores resgatados em Santo Antônio da Alegria, SP, viviam em condições insalubres Ministério do Trabalho e Emprego O MPT informou que o empregador está sendo investigado e pode ser processado na Justiça do Trabalho. "Os autos serão remetidos para a Polícia Federal e para o Ministério Público Federal, a fim de verificar a conduta criminal do investigado". Comida azeda e botas compradas com dinheiro do bolso Aos auditores fiscais, os trabalhadores disseram que não recebiam Equipamento de Proteção Individual (EPI) para o trabalho e precisavam comprar botas e luvas com recursos próprios. Segundo o MPT, os resgatados também revelaram que não tinham onde armazenar as refeições durante a colheita e, muitas vezes, a comida azedava até a hora do almoço. Eles também precisavam levar para a colheita a própria água para consumo, porque o local não disponibilizava. Ainda segundo o MPT, o veículo que transportava os trabalhadores não possuía tacógrafo e o motorista não era habilitado para dirigir ônibus de passageiros. O empregador foi multado pela Polícia Militar. Eles ainda eram submetidos a condições insalubres, porque não havia banheiro na frente de trabalho, o que os obrigava a fazer as necessidades fisiológicas no meio do cafezal. Salário pago por produção O MPT também informou que todos os resgatados trabalhavam sem registro em carteira de trabalho e o salário era pago por produção e, eventualmente, por diária. "De acordo com os colhedores, o turmeiro pagava abaixo do piso oferecido por outros empregadores". 🔎 Turmeiro é a pessoa que atua como intermediária entre o dono de uma fazenda e o trabalhador rural. É o turmeiro que recruta e alicia trabalhadores para serviços em propriedades rurais. Ainda segundo o MPT, o turmeiro foi autuado por embaraço à fiscalização, porque não queria levar a equipe fiscal até a propriedade rural, alegando que os trabalhadores não queriam trabalhar no dia da operação. "Os colhedores disseram que o turmeiro os instruiu a mentir para as autoridades, citando também que ele era um homem raivoso e ameaçador. Segundo as vítimas, o turmeiro as humilhava e se negava a negociar a remuneração por produção, pagando o valor que queria aos trabalhadores, sem sequer informar o preço da unidade de medida referência para o cálculo da produção diária". O alojamento dos trabalhadores não tinha camas e nem armários e os fiscais apontaram buracos no telhado, onde entrava água da chuva, e paredes mofadas. O local também não tinha geladeira ou fogão. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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