
PMs relatam que não viram namorada do vereador Bigodini na posição do motorista A Polícia Civil finalizou o inquérito que investigou o acidente de trânsito envolvendo o vereador Roger Ronan da Silva, o Bigodini (MDB), em Ribeirão Preto (SP). As investigações concluíram que era o parlamentar quem dirigia o veículo, e não a namorada, o que desmente a versão apresentada pelo casal após a colisão. Além disso, a polícia apontou que Bigodini estava embriagado. Com isso, ele foi indiciado por embriaguez ao volante, falsidade ideológica e fraude processual. Já a namorada, Isabela de Cássia de Andrade Faria, foi indiciada por falsidade ideológica, fraude processual e autoacusação falsa. O g1 tenta contato com a defesa dos dois na manhã desta sexta-feira (24). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O acidente aconteceu na madrugada de 29 de setembro, quando o carro do casal atingiu uma árvore na Avenida do Café. Ninguém ficou ferido (veja abaixo detalhes). A investigação por fraude processual foi iniciada em função de versões divergentes com relação ao acidente e depois da circulação de um vídeo nas redes sociais em que o parlamentar, e não a namorada dele, aparece deixando o banco do motorista após a batida. Além disso, durante o atendimento da ocorrência, nenhum dos dois se submeteu ao teste do bafômetro embora as autoridades tenham notado que o vereador tinha sinais de embriaguez. Segundo o delegado Gustavo André Alves, as investigações da polícia se concentraram em análises de imagens de câmeras de segurança momentos antes do acidente. Todas elas, de acordo com ele, apontam para Bigodini como motorista. "Mais próximo ao acidente, temos imagens onde ele passa muito rápido , nitidamente, era uma pessoa com as vestimentas compatíveis com as dele [Bigodini] que estava no volante do veículo. Já muito próximo ao local do acidente, poucos segundos antes, nós obtivemos duas câmeras de vigilância que trazem imagens do motorista, evidenciando que ele tinha vestimentas de cor clara, compatíveis com as vestimentas utilizadas pelo Roger", afirmou. Imagens mostram Bigodini no banco do motorista Divulgação/Polícia Civil *Reportagem em atualização PMs deram versões diferentes Ao serem ouvidos no inquérito, os mesmos policiais militares que atenderam a ocorrência deram informações diferentes do primeiro registro. Ouvidos pela Polícia Civil em 3 de outubro, cinco dias após o carro do parlamentar atingir uma árvore na Avenida do Café, os PMs não confirmaram terem visto a namorada do vereador no banco do motorista, como relataram no primeiro boletim de ocorrência, na madrugada de 29 de setembro. A informação foi obtida pela EPTV, afiliada da TV Globo, em uma resposta enviada pela própria defesa do parlamentar ao Conselho de Ética da Câmara, que abriu um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar em consequência das suspeitas em torno da conduta de Bigodini. Logo depois do acidente em 29 de setembro, em um primeiro registro da ocorrência, os PMs disseram que Isabela de Cássia de Andrade Faria, namorada de Bigodini, desembarcou do lado do motorista, se identificou como condutora do veículo e alegou que o vereador estava no banco do passageiro. Mas, segundo um documento apresentado pela própria defesa de Bigodini ao Conseho de Ética da Câmara em 14 de outubro, ao serem ouvidos pela Polícia Civil em 3 de outubro, eles não confirmaram de fato terem visto Isabela no banco do motorista. Vídeo mostra vereador Bigodini saindo do lado do motorista após acidente em Ribeirão Preto Redes sociais LEIA TAMBÉM Bigodini pede novo afastamento da Câmara e se pronuncia pela primeira vez em vídeo: 'Quero cuidar da minha saúde' Acidente com Bigodini em Ribeirão Preto: Polícia Civil vai investigar se houve fraude processual Vereador Bigodini e namorada faltam a depoimento à polícia sobre suposta fraude em acidente Um dos PMs alegou ter visto um vulto na porta do motorista se fechando e que Isabela se apresentou como condutora. O outro policial afirmou que não viu Isabela no banco do motorista ao chegar ao local do acidente e que foi ela quem foi ao encontro dos policiais se identificar como condutora. A informação foi apresentada pela defesa de Bigodini para reforçar o argumento de que as investigações criminais contam com informações contraditórias e ausência de provas contundentes que enfraquecem o processo de cassação de Bigodini na Câmara. Bigodini e namorada após acidente de carro em Ribeirão Preto Redes sociais Da suspeita de fraude processual ao Conselho de Ética O acidente aconteceu na madrugada de 29 de setembro e a polícia investiga se houve fraude processual, uma vez que o vereador e a namorada, Isabela de Cássia, alegam que ela era quem dirigia o carro que bateu em uma árvore, mas um vídeo mostra Bigodini saindo do veículo pelo lado do motorista. No dia 16 de outubro, o vereador e a namorada faltaram ao depoimento marcado na Polícia Civil para falar sobre o acidente. Seria a primeira vez que o casal falaria oficialmente às autoridades. Advogado de defesa de Bigodini e Isabela, Wesley Felipe Martins justificou a ausência dos clientes no depoimento pelo "direito constitucional de se permanecer em silêncio". No dia 1º de outubro, a Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto aprovou a abertura de um processo para o Conselho de Ética analisar a cassação de Bigodini em função dessa suspeita. Desde então, ele tem apresentado atestados médicos para não comparecer às sessões do legislativo. Em um vídeo publicado nas redes sociais no fim da tarde de segunda-feira (20), no mesmo dia em que pediu um novo afastamento, Bigodini disse que "passou por dias difíceis", que estava abalado e precisou "parar para refletir." Momento em que o carro com o vereador Bigodini e a namorada bate em árvore na Avenida do Café em Ribeirão Preto, SP Câmeras de segurança/Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca
source https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2025/10/24/vereador-bigodini-mentiu-e-dirigia-carro-no-momento-do-acidente-conclui-policia.ghtml