Presidente do PT diz que Lula sofreu 'desgaste não merecido' com crise no STF


O presidente do PT e coordenador da campanha de Lula à reeleição, Edinho Silva Thaisa Figueiredo/g1 O presidente nacional do PT e coordenador da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, Edinho Silva, afirmou que o petista sofreu um "desgaste não merecido" com a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o escândalo do Banco Master. Segundo Edinho, Lula tem defendido a investigação de todas as denúncias e a responsabilização de eventuais envolvidos em irregularidades. O dirigente também afirmou que o presidente considera necessárias mudanças no Judiciário e no sistema político brasileiro. As declarações foram dadas em entrevista ao g1 neste sábado (19), em Ribeirão Preto (SP), onde Edinho Silva participou de uma plenária com lideranças locais e apoiadores para promover as candidaturas petistas. A crise no Supremo ganhou força com as suspeitas envolvendo o Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes. O caso provocou uma crise interna no tribunal e levou a discussões sobre a abertura de investigação contra o magistrado. Moraes nega irregularidades e afirma que as acusações têm motivação política. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Questionado se Lula deveria se afastar politicamente de Moraes diante das denúncias, Edinho descartou tratar a questão nesses termos e ressaltou a independência entre Executivo e Judiciário. “Eu nem acho que seja o caso de afastamento ou não afastamento, até porque existe uma independência entre os poderes. O presidente Lula tem exigido a apuração das denúncias, eu acho que isso é importante. O presidente Lula quer que as denúncias sejam apuradas e que os responsáveis respondam perante a lei. Aqueles que forem culpados que paguem pelos seus erros. Essa é a posição do presidente Lula.” Agora no g1 'Desgaste não merecido' A declaração ocorre em um momento de acirramento da disputa presidencial. Levantamentos recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em diferentes simulações de segundo turno. O levantamento divulgado pela Quaest na segunda-feira (14) mostrou Lula com 36% das intenções de voto, mesmo índice registrado na semana anterior. Flávio apareceu com 31%, após oscilar dois pontos para cima (tinha 29%). Para Edinho, parte da dificuldade enfrentada pelo presidente está relacionada à crise institucional provocada pelas denúncias envolvendo integrantes do Supremo. Segundo ele, apesar da independência entre os Poderes, parte dos eleitores não faz uma distinção clara entre Executivo, Legislativo e Judiciário quando surgem denúncias envolvendo autoridades. "Aos olhos da sociedade, governo, Poder Judiciário, Poder Legislativo é sempre a mesma coisa, não há essa diferenciação. Então, é legítimo um sentimento antissistema, de mudança, que existe na sociedade." Edinho Silva e lideranças locais do PT em Ribeirão Preto (SP) durante plenária Thaisa Figueiredo/g1 Na avaliação do dirigente, Lula acabou sendo atingido politicamente por uma crise que não foi provocada pelo governo. "Nós sabemos que a candidatura do presidente Lula acabou sofrendo um desgaste não merecido, porque nós nos posicionamos o tempo todo, o presidente Lula se posicionou o tempo todo a favor da apuração de todas as denúncias." Edinho afirmou que Lula defende que eventuais irregularidades sejam investigadas independentemente de quem esteja envolvido. "Se as irregularidades fossem comprovadas, ninguém está acima da lei, portanto todos deveriam pagar pelos seus erros." Reforma do Judiciário Segundo Edinho, a defesa de uma reforma do Judiciário não surgiu com a atual crise no Supremo. O presidente do PT afirmou que uma resolução aprovada pelo partido em abril já previa mudanças no sistema. Entre as propostas citadas por ele estão a possibilidade de estabelecer mandatos e idade mínima para integrantes dos tribunais superiores, além da ampliação da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). "Nós defendemos, sim, a possibilidade de mandato, de idade mínima para ingresso nos tribunais superiores." A discussão sobre mandatos no STF também foi defendida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante a campanha. Edinho disse que o PT pretende aprofundar o debate com a sociedade e que as mudanças deveriam ser acompanhadas por uma reforma política e eleitoral. "Esse modelo que está aí, que nós temos dito, ele apodreceu, ele não responde mais aos anseios da sociedade." O presidente do PT também criticou o funcionamento atual do Congresso Nacional, que classificou como um "balcão de negociatas" e de "negócios", e defendeu mudanças no sistema político. Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) Gustavo Moreno/STF Reta final da campanha Ao falar sobre a estratégia para as duas últimas semanas antes do primeiro turno, Edinho afirmou que a campanha de Lula pretende continuar apresentando propostas e, ao mesmo tempo, explorar diferenças entre o petista e Flávio Bolsonaro. O dirigente fez uma série de críticas ao adversário e afirmou que a campanha pretende contrapor essas posições às propostas defendidas por Lula nas áreas de saúde, educação, segurança pública e emprego. Entre os temas que, segundo Edinho, continuarão aparecendo na campanha estão a ampliação da educação integral e do acesso a creches, novas tecnologias para o Sistema Único de Saúde (SUS), segurança pública e o fim da jornada de trabalho 6x1. "São projetos distintos e nós vamos continuar fazendo a nossa campanha diferenciando esses dois projetos." Haddad lança campanha ao governo de SP em comício de Lula em São Bernardo do Campo. Reprodução/TV Globo Haddad em São Paulo Edinho também demonstrou confiança em uma reação de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo mesmo com a grande distância aberta por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição. O último levantamento divulgado pelo Datafolha em 11 de setembro apontou que Tarcísio com 49% e Haddad com 29%. A pesquisa foi encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo. Segundo Edinho, parte do eleitorado ainda definirá o voto nos últimos dias. "Eu confio muito nessa reta final, no crescimento do Fernando Haddad, confio mesmo." O presidente do PT elogiou a trajetória política de Haddad e citou as passagens do candidato pelos ministérios da Educação e da Fazenda. "Eu sou muito confiante no resultado eleitoral aqui em São Paulo." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão e Franca

source https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/eleicoes/2026/noticia/2026/09/20/presidente-do-pt-diz-que-lula-sofreu-desgaste-nao-merecido-com-crise-no-stf.ghtml

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