Por que parte dos eleitores de Lula votou em Tarcísio no interior de SP?


Por que parte dos eleitores de Lula votou em Tarcísio na região? Parte dos eleitores que votaram em Lula (PT) para presidente não votou em Fernando Haddad (PT) para governador em cidades do interior de São Paulo, no 1º turno das eleições, no domingo (4). Um levantamento do g1 nas 66 cidades da região de Ribeirão Preto e Franca mostra que pelo menos 71 mil eleitores do petista não escolheram o candidato do partido ao governo. O movimento também aconteceu do outro lado. O governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) teve 86.888 votos a mais que Flávio Bolsonaro (PL), o candidato à Presidência mais votado na região. As duas diferenças apareceram nos 66 municípios. Para o cientista político João Augusto do Carmo, isso tem relação com o peso da figura do candidato e com a influência dos prefeitos na eleição estadual. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "O eleitor brasileiro vota em pessoas, em identidades de pessoas e não em identidades de partidos ou ideias", afirma. Na soma das 66 cidades, Lula teve 449.388 votos, contra 377.949 de Haddad. Tarcísio somou 862.636 votos, e Flávio, 775.748. Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram compilados pelo g1. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsorano (PL) Reprodução/Ricardo Stuckert/Vittor Sales Como o voto é secreto e cada cargo é apurado separadamente, não é possível saber quantos eleitores escolheram Lula e Tarcísio ao mesmo tempo. Os eleitores de Lula que não votaram em Haddad podem ter escolhido Tarcísio ou outro candidato, ou ter votado em branco ou anulado. LEIA TAMBÉM Lula perde votos nas 66 cidades da região de Ribeirão Preto e Franca e não vence em nenhuma Tarcísio conquista as 15 cidades da região em que não tinha vencido em 2022 Deputado eleito, Guilherme Cortez (PSOL) diz que vai se empenhar para vitória de Lula no segundo turno "Lula ajudou muito mais o Haddad" Segundo João Augusto do Carmo, a trajetória de Lula pesa mais que a de Haddad na decisão do eleitor. "O Lula ajudou muito mais o Haddad nessa eleição do que o Haddad contribuiu para ampliar os votos ao presidente Lula", diz. Ele lembra que, em 2002, quando venceu a primeira eleição para presidente, Lula teve como vice o empresário José Alencar. Para o pesquisador, isso mostrou abertura para dialogar com setores mais à direita. Para ele, Haddad também sofreu desgaste no comando do Ministério da Fazenda. Segundo o pesquisador, o cargo dita os rumos da economia do país, e "é claro que isso mexe com o bolso dos empresários, mexe com finanças, mexe com bancos". O reconhecimento do nome é outro fator citado. "Quando a gente menciona o sobrenome Bolsonaro, todo mundo conhece", afirma. O peso dos prefeitos Do lado de Tarcísio, João Augusto do Carmo aponta a relação do governo estadual com as prefeituras. Segundo ele, os municípios dependem de recursos do estado para fazer investimentos maiores. "Os prefeitos vão buscar obras, recursos financeiros, veículos, equipamentos, direto com o governador", diz. "É difícil um prefeito apoiar um candidato diferente do atual governador, porque ele sabe que pode perder recursos, pode perder apoio e pode perder a força na aliança." O cientista político também cita a presença do governo estadual nas cidades, com escolas, serviços de saúde e órgãos de infraestrutura. Para ele, essa estrutura influencia o voto de quem está ao redor. "Muitos não conhecem o Tarcísio, mas votam porque foram influenciados pelas pessoas da sua cidade que indicaram o Tarcísio como candidato", afirma. Ele avalia ainda que o perfil do eleitorado do interior favorece candidatos de centro e de direita. "O interior tem um comportamento mais conservador, tradicional", diz. Segundo o pesquisador, nessas cidades "a ideia de grupo, a ideia de pertencimento, a ideia de não destoar da sua sociedade é muito forte". Onde a diferença foi maior Proporcionalmente, a maior diferença foi em Jeriquara. Lula teve 41,58% dos votos válidos para presidente, e Haddad, 29,72% para governador. Isso significa que pelo menos 32% dos eleitores de Lula na cidade não votaram em Haddad. A proporção também passou de 25% em Colômbia, Ribeirão Corrente, Nuporanga e Santo Antônio da Alegria. Diferença de votos entre candidados em Ribeirão Preto e Franca em 2026 Arte/g1 As menores diferenças proporcionais foram em Serra Azul, Ribeirão Preto e Franca. Nessas cidades, pelo menos 11% a 12% dos eleitores de Lula não votaram em Haddad. Os votos brancos e nulos ajudam a explicar parte da diferença. Para governador, eles somaram 173.974 nas 66 cidades, 12,2% do total. Para presidente, foram 76.496, ou 5,4%. Não é a primeira vez O descolamento já tinha aparecido em 2022. No 1º turno daquela eleição, Lula teve 519.469 votos na região, e Haddad, 384.514, uma diferença de 134.955. Na época, a disputa para governador tinha um terceiro nome forte, o então governador Rodrigo Garcia (PSDB). Segundo o cientista político, o mesmo fenômeno aparece na eleição para a Assembleia Legislativa. Ele cita Duda Hidalgo (PT), de Ribeirão Preto, eleita deputada estadual com 154.951 votos em todo o estado. "É um voto na Duda, não é exatamente no PT, não é exatamente um voto profundamente ligado às ideias de esquerda", afirma. Fique por dentro das eleições 2026 no g1 Ribeirão e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

source https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/eleicoes/2026/noticia/2026/10/07/por-que-parte-dos-eleitores-de-lula-votou-em-tarcisio-no-interior-de-sp.ghtml

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