
Estudante de Ribeirão Preto cria projeto para o descarte de papel de figurinhas O hábito de completar álbuns de figurinhas acaba gerando um resíduo, que é o papel que fica no verso do adesivo. E se esse material pudesse ser reciclado ao invés de ir parar nos aterros? Pois um estudante de 15 anos, aluno do Sesi, no Jardim Castelo Branco, zona Leste de Ribeirão Preto (SP), criou um projeto para dar solução ao lixo. Aluno do 2º ano do Ensino Médio, Samuel Florêncio de Brito percebeu que a película protetora do adesivo, conhecida como liner, não tem aceitação nas cooperativas de reciclagem convencionais. O papel leva uma camada de silicone químico na composição para permitir o destaque fácil da figurinha. Por causa dessa mistura de componentes, as empresas tradicionais rejeitam o material e, sem a destinação correta, os papéis acabam acumulados em aterros sanitários. Com a iniciativa batizada de "Recicla Liner", o adolescente desenvolveu urnas de coleta exclusivas para o material e instalou os recipientes nas áreas de convivência do colégio. Todo o volume arrecadado é encaminhado para uma empresa especializada em Guarulhos (SP), que detém tecnologia capaz de separar o silicone da fibra e devolver o insumo de celulose à cadeia produtiva (entenda abaixo). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Urna foi criada por estudante em Ribeirão Preto (SP) para receber descarte específico de papéis de figurinhas Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti Volume de descarte e ideia A quantidade de papéis descartados pelos colecionadores chamou a atenção do aluno e serviu de motivação principal para a pesquisa. Um único álbum exige 980 figurinhas. Quando multiplicado por milhões de unidades comercializadas no país em épocas de lançamentos, o papel de proteção se transforma em um desafio logístico e ambiental de grandes proporções. "Um vídeo que eu vi disse que tem algo que vem atrás da figurinha, esse papel não é adesivo e é altamente tóxico para o meio ambiente. Ele se chama liner. Então pensei na hora em um projeto para reunir esses materiais aqui na escola, que já estão acessíveis", explica Samuel. Samuel Florêncio de Brito, de 15 anos, é o idealizador do projeto que busca dar destinação correta aos resíduos de adesivos colecionáveis Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti O dono da recicladora de Guarulhos responsável por receber as remessas, Ailton Alves, reforça que o descarte incorreto, muitas vezes feito nas ruas ou nas lixeiras comuns, gera impactos ao meio ambiente pela dificuldade de degradação do componente químico. "Esse material não pode e não deve ser descartado no lixo comum, porque vai para aterro e precisamos evitar isso. Ou pior, às vezes, quando é jogado na rua, vai para o meio ambiente, e isso é o pior a ser feito", alerta Alves. Ponto de coleta e tecnologia O primeiro passo para tirar o projeto do papel foi a criação física dos pontos de arrecadação dentro da própria unidade de ensino. Com o apoio do laboratório de fabricação digital da escola, Samuel utilizou os conhecimentos adquiridos nas aulas para desenhar e construir uma urna feita de papelão reciclado. "Para fazer a urna, utilizamos a máquina a laser. Instruímos o aluno a mexer no equipamento, ele usou as proteções adequadas e fez a montagem. Fez um trabalho sensacional", diz o técnico de laboratório didático Yuri Henrique. As caixas ficam posicionadas estrategicamente nos pontos de encontro dos alunos, facilitando o descarte logo após o momento de abrir os pacotes. Após o acúmulo de um volume significativo, o material viaja de Ribeirão Preto para a empresa em Guarulhos, que realiza a separação dos compostos e a devolução do papel ao mercado de forma sustentável. "É uma tecnologia química protegida por segredo industrial, mas o que podemos dizer é que descaracterizamos o silicone. O silicone perde a afinidade com a fibra, e a fibra pode ser utilizada corretamente na fábrica sem nenhum prejuízo na fabricação ou no consumo desse papel", afirma Alves. Conhecido como liner, verso da figurinha possui camada de silicone químico que impede a reciclagem em cooperativas convencionais Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti Projeto-piloto e expansão A proposta estudantil aposta na viabilidade financeira e no baixo custo para funcionar e manter a continuidade. As urnas são construídas no próprio colégio, e o envio para a capital paulista ocorre por meio de transportadora ou dos Correios. Há ainda a possibilidade de negociação para coleta direta por parte da recicladora, a depender da quantidade acumulada pelas turmas ao longo dos meses. A etapa atual do projeto foca em campanhas educativas elaboradas para orientar os jovens sobre a necessidade de um descarte específico. O objetivo é criar a consciência de que o liner não é um rejeito comum. A expectativa é que o modelo funcione como piloto e seja levado para outras unidades da rede escolar em breve. Papéis acumulados nos pontos de coleta da escola são preparados para envio a uma recicladora especializada em Guarulhos (SP) Reprodução EPTV/ Valdinei Malaguti Para o orientador de educação digital Fabrício Andrade, a ação estudantil serve de exemplo para toda a comunidade escolar. "É muito bacana ver que um aluno da idade de Samuel já tem essa preocupação com o meio ambiente. Nosso papel foi divulgar, procurar a coordenação para fazer esse trabalho de divulgação entre os alunos e expandir a ideia para as demais escolas também", destaca. Segundo Samuel, o resultado da iniciativa representa uma contribuição direta e prática para um futuro mais sustentável. "Estamos nessa época de Mundo Verde, com todo mundo falando sobre o meio ambiente, então me sinto muito feliz em fazer parte dessa mudança do planeta. É incrível poder participar de uma coisa que vai fazer uma grande diferença no mundo. A gente gosta de deixar a marca, querer mudar as coisas", diz. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
source https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/06/14/estudante-cria-projeto-para-reciclar-papel-de-figurinhas-do-album-da-copa-e-evitar-descarte-em-aterros.ghtml